Sound design para filme de lançamento de Trident Gold, versão limitada do chiclete, atrelada ao lançamento do clipe de MC Guimê. Fomos até o set de filmagem para gravar os sons das ações com cuidado especial, para depois serem editados e mixados de forma a deixar o resultado final forte, alto e claro.
A primeira coisa que me chama a atenção em “Pas Besoin de Permis” é a voz de Vanessa Paradis: rouca, áspera, anasalada, estragada. “Como assim estragada?!” Vozes estragadas são lindas. Das coisas mais sublimes de se ouvir. Pense em Tom Waits, Elza Soares, Macy Gray: seus timbres não são limpos, mesmo que tenham todo o treino e técnica do mundo. E é assim que tem de ser, assim que é bom.
A segunda coisa que me chama a atenção é o arranjo: uma cumbia, com aquela guitarra característica, o trombone tecendo comentários irônicos, a batida hipnótica… Uma cumbia cantada em francês e com um sotaque mais internacional. A composição é de Benjamin Biolay, cantor que está aí desde 2001 quando lançou seu primeiro album Rose Kennedy. Além de dar sua criação para Paradis cantar, Biolay traz sua voz grave para melhor forrar o refrão dessa pequena pérola parisiense:
Ainda sobre a cantora e atriz francesa, é legal ver a diferença entre seu jeito de cantar atualmente e aquela que a tornou mundialmente conhecida em 1988, “Joe Le Taxi“, quando tinha apenas 14 anos.
Em setembro passado Lady Gaga e Tony Bennett lançaram “Cheek To Cheek“, um album inteiro feito de duetos de standards de jazz. Uma das canções gravadas foi “It Dont Mean A Thing (If It Aint Got That Swing)“, de Duke Ellington. E que está sendo usada na campanha de natal da varejista H&M (comercial com direção de Johan Renck). Confira:
Abaixo, filme de 1943 com a big band de Duke Ellington (ao piano) tocando sua canção:
“Disfarça e Chora” é um daqueles clássicos do cancioneiro do samba. Lançada em 1974, no primeiro disco de estúdio de Cartola, de 1974 pelo selo Marcus Pereira, essa parceria com Dalmo Castello ganha aqui uma versão rocksteady (ritmo jamaicano precursor do reggae) interpretada por Pedro Luis e Marcia Castro, acompanhados por Curumin (bateria e percussões), Zé Nigro (baixo) e Cris Scabelo (guitarra, Bixiga 70). Roda o play:
Assista abaixo a versão de Cartola no programa MPB Especial, de Fernando Faro (TV Cultura) da década de 70:
[ Atualizando: esse filme ganhou o prêmio de melhor Trilha Sonora Original no Oscar 2015 ]
Que filme maravilhoso é “O Grande Hotel Budapeste” de Wes Anderson. Melhor ainda ver como a música original de Alexandre Desplat contribui para que o conjunto ganhe em dramaticidade e humor.
Não assitiu? Veja. Baixe, alugue, empreste, se vire. E curta a música (abaixo), que é uma mistura de atmosferas do leste europeu, músicas agitadas e dançantes, polkas folclóricas e temas orquestrais que não são nada do que se costuma utilizar hoje em dia como “música cinemática”. Ou seja, é uma trilha sonora grandiosa sem ser épica, bem humorada sem ser ridicula. O que significa dizer que se ajusta perfeitamente no espirito do filme, ambientado na Europa oriental na primeira metade do séc. XX.
Por exemplo, o tema principal, tenso:
Agora, o mesmo tema aplicado sob uma das cenas:
Que tal sair dançando freneticamente? Experimente:
E essa estória de “música do leste europeu”? Ouça por exemplo o tema do Sr. Moustafa (narrador da estória), executado por um instrumento muito comum nos Balcans chamado cimbalom: