Referências / Inspiração

Wikidrummer: como o ambiente afeta o som de um instrumento

Ótima produção da alemã Touché para o site de bateristas Wikidrummers: uma levada e os ambientes que a cercam. Cada lugar cria uma sonoridade diferente, às vezes seca, outras vezes suja e confusa. No processo de mixagem de uma música, a escolha do reverb para cada instrumento ocorre exatamente dessa maneira. Busca-se criar um espaço no qual os instrumentos sejam percebidos, e é na combinação e equilibrio dos diversos instrumentos e seus ambientes que se constrói a mix.

GEM – Grupo Experimental de Música

Instrumentos criadas pelos próprios músicos. Sonoridades inusitadas e até mesmo estranhas. Shows performáticos com instalações sonoras. Esse é o Grupo Experimental de Música, criado em Santo André (São Paulo) por músicos eruditos que sabem e curtem construir seus próprios instrumentos. Participaram da trilha sonora do premiado filme de animação “O Menino E O Mundo” (2013), do diretor Alê Abreu. No video abaixo você pode ver a loucura que fizeram para criar os sons (sound design) do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=y3EOLvxMKa8

Abaixo, fazem uma performance com os sons encontrados em um ferro velho:

E ao vivo, com Naná Vasconcelos:

Bob Dylan – The Night We Called It A Day

Bob Dylan sofisticado interpretando uma balada jazz, “The Night We Called It A Day,” de seu album “Shadows In The Night” (composto inteiramente por versões do repertório de Frank Sinatra). O clipe dirigido por Nash Edgerton, dentro da tradição do cinema noir, é surpreendente.

Aqui, uma das versões de Sinatra (ele gravou-a três vezes, em 1942, 1947 e 1957):

Dereb The Ambassador – Eshururu

Dereb the Ambassador.

Soul etíope made in Australia. Australia? Si.

Então soul da Etiopia é, vamos dizer assim, internacional? Si.

Gracias Mama Africa por tus regalos.

E sobre essa faixa, “Eshururu”: está presente em na compilação “Have You Ever Been To Electric Afroland?” do selo Paris DJs. Que tem sua própria página no Soundcloud e no Spotify.

Sondre Lerche – Lucky Guy

“Lucky Guy” é um tipo de composição pouco comum nos dias atuais. Não por sua suavidade: isso a cena indie-folk nos dá e muito bem. Mas por sua estrutura jazzistica-bossa novista, na melodia e nas modulações. E no arranjo de cordas, lírico e por vezes dissonante.

E quem é o bardo que se apresenta como um “cara de sorte” na canção? É Sondre Lorche, cantor, compositor e instrumentista norueguês. “Lucky Guy” faz parte de seu album “Please“, de 2014 (o clipe de “Lucky Guy” saiu agora).

Oscar 2015: a bateria de “Birdman”

Assisti a “Birdman” um dia antes do diretor Alejandro González Iñárritu sair da cerimônia do Oscar com as estatuetas de melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia e melhor roteiro original. Merecido, muchisimo. E quem viu o filme deve ter notado a música que acompanha os longos planos sequência. Aqueles solos de bateria, livres como no jazz, e muitas vezes com uma pegada funky. São de Antonio Sanchez, baterista mexicano que já acompanhou o guitarrista Pat Metheny mas nunca havia composto nada para o cinema. E olha a coincidência, quando adolescente Antonio escutava na rádio o mesmo Alejandro Iñárritu atuando como DJ (“He played the hippest music in Mexico”, daqui).

Música ousada para um longa metragem, traduzindo a tensão e ansiedade do personagem de Michael Keaton sem o uso de melodias. Merecia um Oscar, certo? Só que não: a Academia considerou-a inelegível para concorrer à categoria de melhor música original, alegando que boa parte do filme usa música erudita (Gustav Mahler e Tchaikovsky) e “Crazy” (Gnarls Barkley) em gravações que são anteriores à produção do filme. Poderiam portanto ter indicado “Birdman” à categoria de melhor trilha sonora, já que não concordaram com melhor música original (“trilha sonora” abarca gravações pré existentes e também a música criada especialmente para o filme).

Online, se encontram poucas sequências do filme com as investidas de Antonio nos couros; o que se acha é principalmente a trilha em separado ou os trailers oficiais. Então curta abaixo um pouco da música de “Birdman” (quem quiser assistir a uma performance sua ao vivo executando todo o score do filme, clique aqui):